Nós (eu e Marido) temos uns amigos que são super ligados em caminhadas, acampamentos no meio do nada, contato com a natureza, essas coisas. Depois de ouvir vários relatos das viagens dessa tchurminha, Marido – que na época era apenas Namorado -, me convenceu a embarcar numa furada aventura dessas. O objetivo era chegar a uma super cachoeira por uma trilha, o que daria um total de 2 dias caminhando.
Feriado de 7 de setembro, todo mundo feliz da vida às 6h da madruga de mochila nas costas, protetor no rosto e prontos pra pegar o ônibus pro ponto inicial da aventura. Alongamento, todo mundo sorridente, 10, 15, 30 minutos eu já estou olhando pra trás e pensando se eu acerto o caminho de volta sozinha e pego um ônibus pra vida civilizada novamente, mas o lema era “quem desiste no meio do caminho não chega a lugar nenhum”, continuei perseverando. Mais meia hora minhas pernas não obedeciam mais, minhas costas estavam moídas, e eu comecei a dar piti! Amigo-escoteiro organizador da desgraça passeio propõe uma paradinha pro lanche, que dura míseros 10 minutos. O caminho dali pra frente era só ladeira acima e minha vontade era chorar porque nesse ponto eu já tinha certeza que não acertava mais o caminho de volta e ia ter que continuar a jornada com eles de todo jeito. Namorado leva minha mochila e minha única obrigação era me arrastar até o fim do passeio.
E se você pensa que a única coisa ruim de embarcar numa invenção dessas é a caminhada em si, está redondamente enganado. Primeiro tem o grande problema da comida. Refeição de quem faz trilha no meio do mato é pão com queijo de manhã, miojo pro almoço e sopinha instantânea pro jantar. Gente, o miojo já não me descia na época (hoje até que aturo quando a fome tá braba e a preguiça maior ainda!), mas a tal da sopa instantânea de batata… arrgghhh!! Tenho calafrio só de lembrar – e não é exagero! O troço é intragável!! Nem com a fome de quem caminhou o dia inteiro!
Depois vem a dormida. Eu não tenho frescura pra dormir em canto nenhum, colocou um lençolzinho no chão e fez o casaco de travesseiro eu tô dormindo. Mas a tal história de dormir numa barraca com um colchonete finérrimo e em cima de um monte de pedras, aí são mais 500! Quando eu conseguia pegar no sono que me virava um pouquinho lá vinha um monte de pedrinhas furando minhas costas. Com esse vai e vem não tem sono que aguente e a noite quase não acaba nesse sufoco.
Pior de tudo foi o banheiro! Minhas amiguinhas de longo tempo que leem [ai que nervoso não colocar acento!] esse meu bloguito sabem que eu tenho uma certa dificuldade em usar banheiro coletivo, passei mais de ano até finalmente usar o banheiro do trabalho (mas mesmo assim ainda é um drama). Agora, queridas amiguinhas, não tinha rolo de papel higiênico cobrindo o assento que desse jeito, porque o banheiro do tal lugarzinho que a gente acampou era simplesmente um buraco no chão pra o corajoso (a) se equilibrar e fazer o número 1 e/ou 2! Agora me digam se eu aguento uma coisa dessas? A solução era fazer xixi literalmente no mato. Aquela cena linda!
[Pausa pra rir de uma cena que eu lembrei agora. De noite, meninas fazendo cabaninha pra amiga faz xixi no mato, uma de cada vez. Daí veio um barulho no meio da escuridão, saiu todo mundo correndo e largou uma das meninas lá. A coitadinha tava no meio do caminho no serviço dela, se apavorou e fez xixi na calça!! Hahahaha!!! Rindo porque não fui eu, né?).
Depois de todo esse sufoco, no outro dia chegamos na maldita cachoeira e enquanto todo mundo comentava sobre a beleza das coisas que Deus fez e tudo mais, eu só conseguia pensar “Eu não acredito que é só isso!!!”. Fiquei calada porque eu já tinha praguejado em voz alta a viagem inteira e não queria ser a chata completa. Pra valer todo aquele sufoco a cachoeira tinha que ser no mínimo a metade de Foz do Iguaçu!!
Dica valiosíssima: quem nunca se meteu numa historinha como essa, não acreditem em frases como “daqui a no máximo meia hora a gente chega lá”, “é só até ali naquela curva”, “tá chegando”, “o visual compensa tudo”, “quando passar o cansaço você vai pedir por outra caminhada”.
Outra dessa nem que tenha alguém distribuindo dinheiro no fim da viagem! E não, depois de ser torturado você nunca esquece!
Atenção pra quantidade de coisa que Marido estava levando: Dois colchonetes, uma barraca, uma panela, a mochila dele atrás, a minha na frente e a “mala” da Namorada do lado enchendo o saco do coitado!
A única coisa boa dessa viagem foi as fotos, aí pra completar o CD com as fotos simplesmente sumiu! Já revirei essa casa e nada! Só achei essa aí no antigo fotolog da gente! Ódio!!!!

Eu adoro viajar, conhecer lugares diferentes, exóticos, adoro natureza, ar puro e todas estas coisas maravilhosas que existem no mundo, mas sem um banheiro funcionando completamente não dá. Eu tambem durmo em qualquer lugar mas nas pedrinhas ainda não tentei. De qualquer forma vou seguir o seu conselho e vou preferir passeios com um minimo de infraestrutura.
bj
Paulinha!!! Que furada!!! Hahahahaha, mas é bom para contar para os netinhos aquela vez que vovó mochilou e dormiu “sob as estrelas”.
Meu programa natureba tem que incluir pousada, café da manhã e repelente de mosquitos, no mínimo. Mô com certeza adoraria um programa desse, mas eu faço coro contigo “nem que tenha alguém distribuindo dinheiro no fim da viagem”!!!
Bjos!
Amiga, eu compreendo plenamente linha por linha descrita.Detesto trilhas, não suporto contato íntimo com natureza e muito menos falta de um vaso sanitário decente.aliás, eu sequer acampo por conta desses detalhes.
Só posso parabenizá-la pela coragem, rs.
Menina…tô rindo até agora da coitada da menina abandona no mato numa situação tão…delicada! Hahhahahahahaha! Tadinhaaaaaaaaaaaaaa!